segunda-feira, 28 de setembro de 2015

(Resenha) Cabra Cega - Sheila Ribeiro Mendonça


 
Sinopse: Clara e Gustavo se conhecem em um clube de Curitiba quando ela estava pensando em viajar, antes de começar a faculdade, então se apaixonam e casam. Assim, a vida de Clara muda rapidamente. A mudança é radical, pois Gustavo se revela um homem agressivo, ciumento, possessivo, violento, ardiloso e perspicaz, com isso transformando a vida dela numa constante surpresa e esconde-esconde. Não somente de comportamentos, como também de cidades. Com o intuito de não criar laços com ninguém e, principalmente, de não deixar a família de Clara saiba onde ela está, você vai acompanhar Cabra Cega sem ter certeza de até quando aquela cidade fará parte dos planos de Gustavo. Em Cabra Cega acompanhamos os escondidos.  
Resenha:
Finalmente comecei a minha leva de livros via kindle. Baixei diversos livros pela amazon, mas devido a falta de tempo e minha enorme pilha de livros, os e-books acabaram ficando encostados. Porém, no início deste mês decidi que era hora de começar a lê-los e para dar início escolhi o livro “Cabra Cega” da autora Sheila Mendonça. E povão, o livro é incrível. Apesar da linguagem simples e sem diálogos a trama foi bem desenvolvida.

A autora conseguiu passar com extrema realidade o que acontece com as mulheres vítimas de violência doméstica. E talvez seja por essa razão, que os personagens me irritaram ao extremo.

Não quero que a autora pense que não amei o livro. Adorei, de verdade. Porém, a trama nos apresenta a realidade sem frescura... Nua e crua.

Todos os personagens representam a realidade, desde a passividade e submissão da vítima, a crueldade do marido violento e a falta de atitude dos pais da vítima. Em diversos momentos fiquei na dúvida em quem deveria odiar mais... O marido, a esposa ou os pais, que são inúteis.

Tem uma cena que a personagem Clara é arrastada pelo marido diante dos pais, que ficam apenas olhando. Não sei se isso é o meu sangue paraguaio com boliviano falando mais alto, mas se eu visse algo do tipo acontecendo a minha irmã ou filha, daria um monte de porrada no sujeito, com infarto e tudo. Chamaria a polícia, sei lá, faria alguma coisa. Parada é o que eu não ia ficar.

O único personagem que tem atitude é o marido. Pelo menos o cara se mexe para conseguir alcançar seus objetivos, mesmo sendo ruins.

Clara é irritante ao extremo, lerda e besta. Sinto muito, mas sou incapaz de sentir empatia por mulheres que apanham. Não estou dizendo que mulher merece apanhar, não, longe disso, mas como a própria trama mostra. Clara recebeu diversos alertas dos seus pais de que Gustavo era obsessivo, ciumento, controlador e frio, mas não deu ouvidos. E essa é a realidade de muitas mulheres.

No livro a autora deixa a entender que Clara era muito apaixonada para ver a verdadeira face do marido. O que até certo ponto condiz com a realidade. Porém, não posso deixar de dizer que muitas mulheres apostam no cavalo errado pelo puro e simples prazer de “desafiar” a opinião dos pais e amigos. Isso quando os próprios amigos a aconselham a namorar o sujeito porque o mesmo possui um carro do ano, uma boa profissão. E ela precisa casar com o sujeito porque não vai encontrar algo melhor e que é muito triste uma mulher sozinha.

Enfim, se você está à procura de um bom livro nacional, com uma temática polêmica, Cabra Cega é uma boa pedida. 

SKOOB 

(Resenha) Caixa de Pássaros - Josh Malerman


 
Sinopse: Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de Pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler.

Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Cinco anos depois do surto ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles Malorie e dois filhos pequenos. Ela sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas a viagem que tem pela frente é assustadora: uma decisão errada e eles morrerão.

Resenha:

No mês que o blog ficou parado li diversos livros. Alguns legais, outros mais ou menos e outros frustrantes. E Caixa de Pássaros é um deles.

Esse livro é a prova do que sempre digo “Desconfie de um livro elogiado em demasia”. Tanta gente falava o quanto esse livro era bom, incrível, foda. E eu só ficava na ansiedade para ler. Por sorte Caixa de Pássaros veio na leva de livros emprestados. Ainda bem, porque se tivesse gastado meu dinheiro iria tacar o livro na parede e depois faria uma fogueira no meio do meu quintal e dançaria em volta junto com os meus cachorros. Agora que já dei meu ataque de pelanca, vamos a resenha.

Caixa de Pássaros nos apresenta um mundo pós apocalíptico, onde boa parte a população cometeu suicídio após ver algo. Não se sabe o quê. Muitos acreditam que sejam alienígenas, mas nada é provado. E é nesse universo devastado que conhecemos Malorie, uma mãe que deseja encontrar um novo abrigo para ela e seus dois filhos.

A casa onde a família mora está ficando sem recursos e a única solução é uma viagem de barco. Mas tem um problema, toda a viagem deve ser feita de olhos vendados. Não se sabe o que há lá fora, apenas que o que quer que seja enlouquece as pessoas e elas cometem atos de violência contra si e outros.

A trama toda gira em torno dessa tal viagem e da vida que Malorie vivia antes de tal acontecimento. É claro que conhecemos como Malorie foi parar na tal casa e quem a dividia com ela, porém o autor não conseguiu me cativar com seus personagens. É tudo muito por cima. Conhecemos muito pouco sobre os outros moradores e não dá para entender o motivo que leva Malorie a depositar tanta fé em Tom, um dos moradores da casa.

Tudo na trama é muito superficial. Não consegui criar carinho por nenhum personagem. O que é estranho. Afinal, quando lemos um livro querendo ou não, acabamos nos afeiçoando por algum personagem. O que não ocorreu comigo nesse livro.

Nunca peço isso nas minhas resenhas, mas se alguém que leu esse livro e sentiu o mesmo que eu. Por favor, deixe um comentário. Preciso saber se o problema sou eu ou é o livro.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

(Resenha) O Pássaro - Samanta Holtz


Sinopse: Caroline Mondevieu é filha de um poderoso barão e tem tudo o que uma dama da época poderia querer: status, riqueza e um ótimo partido para se casar. Seus sonhos, no entanto, vão muito além de vestidos caros ou um bom marido; ela quer ser dona do próprio destino. Tudo parece perdido quando ela encontra Bernardo, um charmoso e irritante domador de cavalos. Eles não conseguem se entender até perceberem que, para alcançar o sonho em comum da liberdade, deverão passar por cima das diferenças e se unirem em um arriscado plano que promete transformar suas vidas para sempre. Grandes emoções os aguardam nessa jornada: perseguição, mistérios, ciganos e o despertar de um sentimento que insiste em se manter escondido. Mas o que parece tão simples envolverá mais magia e coincidências que eles podem imaginar, além da descoberta de segredos, até então, muito bem guardados.

Resenha:

Sempre ouvi falar da autora Samanta Holtz e no quanto é talentosa. Infelizmente, elogios em excesso sempre me mantêm afastada. Já li diversos livros que sempre são bem elogiados e acabei dando com os burros na água. 

Porém, um dia estava à toa no centro da minha cidade e entrei numa livraria e encontrei o livro da autora “O Pássaro”. Fiquei naquela dúvida cruel se comprava ou não. Então, vi que o livro estava em promoção e decidi comprá-lo. É claro que o coitadinho ficou na minha pilha de livros esperando sua vez, até que no mês passado ela finalmente chegou.

Livros de época podem ser maravilhosos de se ler, ou não. Depende muito de como o autor conduz a trama. Mas logo nos dois primeiros capítulos percebi que a autora merece todos os elogios. A cada capítulo vemos o quanto de cuidado a autora teve com a pesquisa, coisa que muitos autores nacionais ainda deixam muito a desejar. 

Na trama nos deparamos com Caroline, uma jovem rica, que apesar de viver em berço de ouro é reprimida pelo pai, que não se importa com o bem estar da filha e sim, com o que a sociedade vai falar. 

O barão de Mondevieu é um ser asqueroso. Sério, fiquei com nojo do sujeito.

Caroline não caiu no meu gosto logo no início. Eu a achei muito egoísta. Ela deseja tanto ser feliz e livre, que não pensa nas consequências. Inventa mentiras apenas para se livrar de situações ruins e nem pensa no que pode acontecer com os outros. É primeiramente prometida para o melhor amigo, que na medida do possível é o melhor partido que se pode querer, mas não, ela tem que ter um chilique e fugir. Quando o pai troca o pretendente, dei muita risada. Até gritei “Toma cheirosa!”.

Cheguei a pensar que ficaria com raiva da protagonista até o final do livro. Porém, a partir do capítulo 19, Caroline muda suas atitudes e começa a ficar mais agradável. 

E não é apenas ela que modifica seu jeito de ser. Até mesmo sua irmã e mãe, que são submissas aos maridos, começam a botar as manguinhas de fora. E é nesse momento que descobrimos segredos. Não dá pra falar, é spoiler. Mas é muito legal.

Vi em diversas resenhas que os leitores não gostaram do final, mas eu amei. Achei corajoso e perfeito. Se o final não fosse aquele, o destino de todos os envolvidos seria muito diferente. Entendo os leitores que não gostaram, mas se levarmos em conta o desenvolvimento da trama, o final é perfeito. 

“O Pássaro” é um livro que fala sobre liberdade, sacrifício e amor. E é o segundo melhor livro nacional lido neste ano.