sexta-feira, 2 de março de 2012

(Resenha) Rendição - Josiane Veiga


Sinopse:
Dentro da moralista sociedade japonesa, duas almas gêmeas lutam desesperadamente para viver seu amor.

Ken Takeshi foi descoberto na infância por um caça talentos. Artista nato, ao lado de quatro amigos tornou-se um dos maiores ídolos do Oriente. Porém, o rapaz que era o sonho de todas as mulheres amava outro homem...

Rendição fala da luta de dois jovens para viver um amor proibido. É o primeiro original voltado ao público GLS de Josiane Veiga e, sobre ele, a autora comenta: “É uma história de amor. Uma pura história de amor, capaz de enfrentar todos os desafios, sem deixar-se abater.”


Acho que já faz um ano ou vai fazer que conheço o trabalho da Josy, e a cada livro que leio vou me surpreendendo.


Uma das características do trabalho da Josy é usar assuntos polêmicos, mas na medida certa.


Sempre digo que os autores devem procurar seu estilo, sem desejar imitar outro autor, e isso a Josy faz de maneira brilhante.


Quando disse a ela que iria ler “Rendição” uma de suas primeiras recomendações foi: Não fique chocada. E agora que terminei de ler, posso dizer: Não fiquei chocada.


Não sei se é porque já conheço o estilo da Josy ou porque simpatizo com os gays.
Não vou dizer que estou livre 100%, que acho gracioso ver dois homens juntos. Mas não os vejo como sujos, indecentes ou imorais. Simplesmente sinto “inveja”. Assim como sinto “inveja” em ver um homem lindo de morrer ao lado de uma mulher mocréia.


Simpatizo porque me identifico com eles. Não sou lésbicas, mas entendo quando as pessoas olham para você como se fosse uma aberração.


Tenho 31 anos, sou solteira e muito feliz com minha condição de “encalhada” (Estou sendo 100% sincera). E isso me torna uma aberração aos olhos das pessoas, pois elas não conseguem entender como eu posso ser feliz sem ter um homem ao meu lado e sem ter o desejo de casar. Por causa disso já tive que ouvir cada absurdo e o que mais me doí, é que as vezes o absurdo vem da minha própria família.

Chega desse momento confessionário de igreja e vamos ao livro.
“Rendição” é uma história de amor. Gay... Sim, mas uma história de amor verdadeira.
A Josy representou esse amor do jeito que eu acredito que seja.

Quando fazia faculdade de Jornalismo, estudei com um rapaz gay. Ele vivia com outro cara há dois anos e eles eram um exemplo de lealdade, afinidade e companheirismo, que infelizmente as vezes não encontramos em alguns casais heterossexuais, que casam no papel e na igreja.

Vários momentos em que lia o livro via o meu colega de faculdade, que descobriu que era gay aos 12 anos. Como ele mesmo dizia “Tentei muito me adaptar, queria muito ser como os outros moleques, mas depois dos 16 anos aceitei que era diferente.” Nunca esqueci as palavras dele.

Eu acredito que uma pessoa nasce gay e não escolhe. Homossexualismo faz parte da natureza da pessoa. Não é doença, aberração genética e nem se cura com reza brava.

“Rendição” mostra o homossexualismo ainda na infância. E é no que acredito.
Mas não é só de homossexualismo que o livro fala. Também vemos pedofilia, aborto, idolatria a famosos e é esse o ponto que foi uma surpresa para mim. Pois mostra o que o fanatismo pode fazer e o que se passa na mente de um fã, que só enxerga seu ídolo perfeito e tem a ilusão que se ele se aproximar dele, o mesmo vai amá-lo loucamente.

Agora vamos aos personagens:

Ken Takeshi – Um cara verdadeiramente apaixonado, que passa por maus lençóis, seja por causa de seu grande amor ou pelos amigos.
Devo dizer que amei o momento em que ele faz o Nino se ajoelhar no milho, para provar o quanto o ama. Um exemplo para muitas mulheres que não possuem amor próprio.

Kazue Ninomura – Oh, cara que me deixou louca! Teve um momento que desejei que o Ken desse um pé na bunda dele e ficasse com o Kin. Mas no final ele provou seu amor. Então nota dez pra ele.

Aiko Morita – Ele me lembrou um amigo meu que adora manipular os outros, fazendo você sentir culpa, até você ceder. Sério! Meu amigo quase me convenceu a adotar mais um cachorro e eu já tenho três.
Outro detalhe engraçado são os conselhos amorosos trocados entre Aiko e Nino. Dei altas gargalhadas.

Shuichi Sakamoto – O gay mais macho que já vi.

Kin Matsuda – Fiquei com dó dele. Não apareceu nenhuma boa alma para seu coração. Ele ficou para segurar vela.

Audrey Morgan – No começo eu senti raiva dela, mas depois eu encarnei um pouco de Shuichi e entendi seus motivos.
Mas uma coisa não posso negar, ela foi uma “vilã” nota dez!

Melanie Vardin – Como eu mesma a chamei no começo “Maria chuteira”. Ela me lembrou muito aquelas mulheres de “classe” que correm atrás dos jogadores de futebol.

Jean Touga – Esse foi o personagem mais doido. Ele é o fã disposto a tudo pelo amor de seu ídolo. É engraçado, mas ele é a personificação de tudo que há num fã.
Misao (a freira) – Ela apareceu pouco no livro, mas sua explicação sobre Deus, Bíblia e como se deve tratar os gays, curiosamente é igual ao que penso.

Novamente minha resenha ficou longa, mas não tem como falar desse livro em apenas 20 linhas.

5 comentários:

  1. Nossa, que linda resenhaaaaaaa
    Estou aqui com lágrimas nos olhos porque você pegou exatamente todos os pontos importantes da obra, e conseguiu visualiza-la como um todo. Enfim amada, muito obrigada de coração... estou chorando de felicidade^^

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  2. De nada, Josy.
    Eu adorei o livro. Agora é juntar mais dinheiro para comprar Redenção.

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  3. Redenção é muito, muitoooo triste.

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  4. Audrey diva-suprema! *_* rs
    Adorei a resenha! Foi de uma sensibilidade incrível (como a da Josy em seus livros), parabéns! ^^
    Bjos!

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  5. Sabe a cada resenha que leio do livro de Josy é como se fosse o primeiro e olha que li o livro e resenhei. Adorei! Simplesmente não tem como explicar tudo em poucas linhas só lendo...

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